sexta-feira, 18 de maio de 2012


Cronologia

As horas têm números? E os dias? E os meses? E os anos?...
Não, a vida não está limitada ao tempo, é o próprio tempo. Começa com o estampido de um grito novo que ecoa numa mesa de parto. Sai de um útero. Dores, lágrimas, gritos, sonhos e alegrias. Retumbante como o alarido ensurdecedor de um tiro, começa num estonteamento da dúvida. A única certeza: a vida começou.
Na cronologia da história temporal, mediada por frações, ela continua. Mas, na vida não há dias, nem noites, nem meses, nem anos. O tempo, a vida, a história corre num exaustivo começo e fim, pois o meio é o todo. O todo é um todo cíclico da vida, das cronologias fracionárias, fracionadas.
Ah! O tempo, a vida, a história, efêmeras substantivações das agonias existenciais de quem passa pelos caminhos insondáveis de um eterno amanhecer. A luz é dia, é tempo, é vida.
Mas o tempo, a vida, a história é cronologia passageira: passageiras de uma intermitente transição entre luz e trevas. A vida é luz, e também é noite.
Assim, medir, mensurar, fracionar é prender-se num emaranhado de coisas meramente finitas. A vida não tem fim, em sua essência; não tem começo, muito menos meio, é ato contínuo. Prendê-la a frações de convenções, substancialmente abstratas, é ofuscar o brilho da luz ou das trevas, num molde de cronologias averbais, numa bolha temporal, enfadonha, monótona, sem cores, opaca, medonha.
A cronologia é pois, o término, o fim, a prisão, o vácuo, o nada. É o abstrato enfadonho dos que passam na solidão de um caminho sem flores, sem orvalhos, sem luas, sem sol, sem brisa, sem a brisa, sem a graça da simplicidade do existir.
A cronologia, assim, é o nada, a vida é o todo.
Antonio José da Silva

terça-feira, 24 de abril de 2012

Imagem da internet



Na infinitude das águas, nas profundezas da real imaginação, nasce o mar. Nasce em praia, areias cálidas, águas coloridas, transparentes, peixes, assombros, encantamentos, mas mar. Ás vezes oceano, mas mar.
Mar, conotação denotativa do vocativo, mar, oceano em dimensões atlânticas, índicas, ás vezes pacíficas e tantas outras imaginações reais do ser em águas, vivas, mas mar.

Antônio José.